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sábado, março 12, 2005

Em lenta agonia!

É com enorme prazer que publico mais um artigo do Sr. Albino de Oliveira Pinho, que neste momento reside na Suiça. Este artigo foi publicado em 19.02.2003, no jornal Correio de Azeméis, numa altura em que o G. D. de Fajões estava em fracos lençóis na II divisão distrital.
O artigo é um pouco longo, mas merece inteiramente a sua leitura, pois o mesmo é de enorme qualidade. Com a devida vénia ao autor, e um muito obrigado pela colaboração que tem dado a este projecto, aqui fica o artigo na íntegra.

"Desta vez, o meu artigo é sobre a actual situação do Grupo Desportivo de Fajões, clube que, segundo rezam as crónicas, foi fundado no longínquo ano de 1932 com o nome de Clube Desportivo Fajoense, tendo, em Maio desse mesmo ano, inaugurado o seu primeiro campo de jogos no actual lugar do Barbeito, com os jogos C.D.Fajoense - S.C. Macieira de Cambra e A.D. Sanjoanense - Académico do Porto. Anos mais tarde (década de quarenta) viria a jogar num segundo campo de jogos na quinta da Vermiosa, propriedade do padre Leôncio, que, por morte deste, passou para seu sobrinho Dr. Júlio, que também chegou a ser director do C.D. Fajoense, na altura.

Depois de um longo interregno, e por mão de um conjunto de fajoenses com grande amor clubista, entre os quais será justo destacar o padre Rocha, ressurge no ano de 1974 com o actual nome, sendo inscrito nesse mesmo ano na Associação de Futebol de Aveiro, tendo disputado desde essa data, (salvo curta paragem da sua equipa sénior nos anos 90, dizem que devido a problemas de política caseira ) os diversos escalões do distrital de futebol. O seu terceiro campo de jogos, e actual (Campo das Cruzes), é propriedade do clube e foi inaugurado com pompa e circunstância em um de Janeiro de 1976, com os jogos G.D. de Fajões - J. D Carregosense e U.D. Oliveirense - A.D. Valecambrense.

Como é óbvio, durante estes 28 anos de provas oficiais, o G.D.F teve altos e baixos. No campo desportivo há a realçar na época 83/84 um segundo lugar na prova maior da AFA, que lhe deu o direito de participar na Taça de Portugal na época 84/85, tendo sido eliminado da Taça de Portugal, na segunda eliminatória, pelo F.C. Paços de Ferreira, em Fajões por 0-1, no prolongamento.

Desde o seu ressurgimento, o clube congregava quase todos os fajoenses e, até de freguesias vizinhas, especialmente do concelho de Arouca. Em seu redor, e durante muitos anos, viveu-se momentos de glória com a equipa a ser respeitada e "temida" pelos adversários pois, onde o Fajões fosse jogar, era admirado pelo bom futebol praticado (a nível distrital), mas, sobretudo, pela fidelidade, quantidade e amor clubista dos seus adeptos, que o acompanhavam sempre. Por via disso, onde fosse jogar o Fajões era quase sempre dia do clube. O G.D.F. foi crescendo pouco a pouco e, no começo dos anos oitenta, deu início a obras no seu parque de jogos com a construção de uma bancada coberta, que, na altura, fazia inveja a muitos clubes...Infelizmente, esse projecto ainda não foi concluído completamente, faltando fazer os balneários por debaixo da mesma e respectivos acabamentos de exteriores.

Depois desta resenha histórica do clube, vou à razão deste meu artigo, que é sobre a actual situação do clube, esse clube que arrastava centenas de Fajoenses, esse clube que os fazia sonhar, numa escala relativa, é verdade, mas fazia sonhar e isso é que era importante. O carinho que os fajoenses nutriam pelo seu clube, em especial os mais idosos, vindo aos domingos logo após o almoço para o Cruzeiro, sempre na ânsia de arranjar transporte para acompanhar o seu Fajões nos jogos fora. Findos estes, eram ainda o Cruzeiro e cafés limítrofes os locais ideais para contar as incidências do jogo.

Aqueles derbys regionais mais "quentes" onde não faltava quase nada, mesmo algumas picardias mais acaloradas fora do campo, quase sempre com os do costume, mas que, a maioria das vezes, não passava de "pólvora" seca.

Entretanto, com o decorrer dos anos, foram-se criando novos hábitos e passatempos, mais opções de escolha para preencher os tempos de lazer, embora alguns talvez de gosto duvidoso. Tudo isso também terá contribuído para, de certa forma e lentamente, o clube começar a perder apoios.

O futebol, mesmo a nível do distrital começou a exigir orçamentos de milhares de contos/época, mesmo para equipas quase cem por cento amadoras, como o Fajões. Os heróicos dirigentes que, ano após ano, abnegadamente e por puro amor clubista, estavam sempre à frente dos destinos do clube, começaram a ficar saturados de ninguém os substituir, começaram a desertar, o clube começou a sobreviver graças a meia dúzia de carolas, amantes também do seu Fajões e, sempre em cima da hora, lá se constituía mais uma comissão administrativa para que o seu Fajões não "encostasse às boxes". Mas, nestes últimos tempos, nota-se que o clube começa (em termos desportivos) a entrar em zonas que não estavam nos seus pergaminhos e, pelo jeito que as coisas levam, corre mesmo o risco de descer ao mais baixo patamar da AFA, ou seja, à IIIª divisão distrital... Quem diria ! De equipa respeitada pelos seus bons resultados, passou a equipa ao alcance de qualquer uma.

Os fajoenses parece que viraram as costas ao seu clube de futebol. Porquê? Devido à política caseira? Pelos resultados negativos e saturação? Por falta de dinheiro, devido à crise que se vive actualmente no país?

Talvez seja uma destas questões, talvez um pouco de todas e mais alguma !

Eu próprio, em Dezembro último, assisti a um jogo no campo das Cruzes, para o campeonato distrital da IIª divisão, em que não haveria mais que uns 30 a 40 espectadores, sendo a maioria do clube adversário. Ao que se chegou !!!

Todos sabemos que este fenómeno não é exclusivo de Fajões. Talvez seja fruto da crise que se vai instalando e, mesmo nos ditos grandes, também se começa registar, com as devidas proporções. Talvez seja, ainda, fruto de um tipo de sociedade que se começa a construir, onde parece que impera o "cada qual por si". Talvez os pequenos (e mesmo alguns grandes) clubes não se tenham adaptado às novas realidades ou talvez sejam erradas as estruturas onde assenta este tipo de desporto, em pequenos meios como o nosso. Talvez seja falta de um projecto adequado para saber o que melhor se enquadra para Fajões.

Hoje, mais que nunca, sem dinheiro pouco se faz, e ele anda raro. Uma vez que o G.D.F. está quase a bater no fundo , seria, talvez, a altura ideal para tentar implementar novos métodos e partir do zero para uma nova filosofia, ou então acontece ao nosso Desportivo o mesmo que aconteceu ao Titanic. Não tenham ilusões, é só uma questão de tempo.

Para concluir, e se me permitem, gostaria de deixar aqui alguns pontos para reflexão aos amantes do G.D.F.. Estes poderão ser aproveitados para a recuperação do clube, se assim se entender.

1°- Parte financeira. Nesta área dever-se-ía fazer um grande trabalho em Fajões e na sua diáspora, para angariação de sócios fiéis, para os envolver num projecto comum. Lembro-me que, entre outras, poderia haver uma campanha de marketing e envolvência de amor clubista às reais dimensões de Fajões, mas com um método de encaixamento ou de cobrança, de quotas simples, eficaz e para longo prazo, senão de nada vale.

Outra possível fonte de receita (entre outras) poderia ser o bingo. Desconheço se a lei permite a um clube com a dimensão do Fajões explorar um bingo a dinheiro.Talvez não, mas talvez a lei permita o mesmo bingo mas em vez de ser a dinheiro ser em géneros (por puro exemplo, presuntos, vinhos e outros artigos). Aqui na Suiça o bingo é permitido, mas só em géneros. Os clubes com a dimensão do Fajões usam esse sistema para poderem fazer face aos seus encargos e é ver famílias inteiras, às sextas e sábados à noite, nos locais devidamente legalizados e preparados a jogar o bingo e sobretudo a conviver.

2°- Envolver também a juventude de Fajões nesse projecto, para que ele não morra de futuro pois, acima de tudo, este projecto deverá ser a pensar neles.

3°- Penso que, apesar de Fajões não ter muita indústria e não ser terra de milhões, tem uma mais valia no bairrismo dos seus habitantes, amantes da sua terra e de tudo que lhe diz respeito, com provas dadas no passado e que, apesar deste momento menos bom, estou convencido que se vão emanar e congregar esforços para, num projecto comum, singrar o Desportivo ao lugar que por direito lhe pertence, até por uma forma de honrar os seus fundadores.

Pois, apesar do número de associações que Fajões possui, há também espaço para o seu Grupo Desportivo. Em tempos tão difíceis como os que vivemos, o papel de um clube desportivo numa terra como Fajões pode ser importantíssimo e indispensável na salutar formação dos homens de amanhã.

Estas ideias que acabei de explanar não têm outro sentido senão o de tentar encontrar uma solução para "salvar" o G.D.F.

Não queria terminar sem antes prestar a minha homenagem a todos aqueles que durante todos estes anos deram e continuam a daro seu melhor, desinteressadamente, pelo seu Grupo Desportivo de Fajões.

Aproveito ainda para fazer um apelo a todos aqueles Fajoenses que puderem, para apoiarem a actual Comissão Administrativa e, se possível, monetariamente, no sentido de ainda salvar esta época e, assim, tentar evitar que o nosso Desportivo desça à IIIª distrital.

Saudações desportivas e um grande abraço para todos os meus conterrâneos."

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