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segunda-feira, abril 11, 2005

Lendas da nossa terra



É com enorme prazer que publico mais um artigo do sr. Albino Pinho, que mais uma vez colabora de forma directa com este projecto. Trata-se de um artigo intitulado: "Lendas da nossa terra" e que mostra, principalmente aos mais jovens, o que se passava antigamente na nossa vila.

Aqui fica o artigo:

Lendas da nossa terra

Os espiritos do novo cemitério!



Corria o ano de 1917, ano de todos os mistérios e magias.

Na Casagrande, da Cruz, uma das maiores casas de lavradores da aldeia, começavam os preparativos para as grandes as segas de centeio desse longínquo ano, em algumas parcelas, da vasta propriedade de cultivo em socalcos sustidos por botaréus, que iam desde o lugar da Cruz até ao do Barbeito, rodeando por completo o cemitério, e a igreja da aldeia.

Depois de uma semana de canícula abrasadora, as ceifas debutavam ainda pela aurora, para fugir ás altas temperaturas da tarde, pelos empregados, e caseiros da Casagrande, mais alguns jornaleiros da aldeia que eram contratados á jornada sempre que havia, sementeiras, mondas, ceifas ou vindimas a fazer nos terrenos da Casagrande.

Era costume da época, e nestas alturas de verão, quando o sol estivesse no zénite todo o pessoal dormir durante a tarde em local bem fresco. Retomando os trabalhos agrícolas já perto do crepúsculo

Depois da grande azáfama dessa semana, chegou a sexta-feira, por acaso dia 13, e de lua cheia. O dia era o mais tórrido, e pesado da semana, havia um vento mistral muito quente, que os anciões da aldeia chamavam de "esgana cão" e que deixava algumas pessoas com problemas respiratórios preocupados e aflitos, pois temiam não resistir. Mas ao longe já se ouviam fortes trovões, certamente que vamos ter trovoada, e chuva durante a noite, comentavam os ceifeiros entre eles.

O patrão da Casagrande, depois do almoço, e antes do pessoal ir fazer a soneca da tarde, dá ordens a uma caseira da Casagrande, para recolher os últimos molhos de centeio, que se encontram na leira perto do cemitério antes do jantar, pois o tempo ameaçava chuva, talvez para a noite, jurando esta ao seu patrão que o mesmo seria recolhido por ela própria antes do caír da noite.

Como morava numa pequena casa de caseiros separada da Casagrande, e talvez devido aos grandes esforços fisícos do dia, aliada ao tempo pesado que se fazia sentir, a pobre caseira entregou-se a morfeu, e dormiu perdidamente, não se apercebendo sequer do tempo passar, quando finalmente, e já altas horas da noite, acorda, espreita pela pequena janela, com a lua cheia, e o início da aurora, pensa que é o sol a pôr-se, aflita e sem mais demoras salta da cama para ir recolher os ditos molhos que se encontram perto do cemitério, que o seu patrão tanto lhe recomendara.

Devido já á pouca claridade, pensa ela que do dia ainda, sobe num ápice as várias leiras até ao local onde o centeio se dispersava por algumas dezenas de pequenos feixes, junta-os todos, para depois fazer molhos maiores, e transporta-los á cabeça até á Casagrande, onde ficariam a salvo de uma possível trovoada.

Ainda meia a dormir, e iluminada só pela lua cheia, e da aurora que começa a despontar, que ela continua a pensar que é a luz do fim do dia, faz, e ata todo o centeio, que faltava recolher em meia dúzia de molhos. Quando finalmente se prepara para os carregar á cabeça, repara que não se consegue ajudar sozinha a meter o dito á cabeça, precisa da ajuda de alguém.

Ergue a cabeça para pedir auxilio a alguém que porventura ande nas imediações, e vê mais em cima no caminho de fronte ao cemitério, algumas pessoas que em passo melancolico, e sussurrando, fazem um vaivém, entre a igreja da aldeia e o cemitério, todos vestidos uniformemente, tipo fransciscanos, com o carapuço metido na cabeça, e cabisbaixos. Pensando a caseira que seriam aldeões a fazer as suas preces.

Dirige-se ao mais próximo, e educadamente pede-lhe se a ajuda a carregar o molho de centeio á cabeça.

A personagem, pára a sua penosa marcha, lentamente ergue a cabeça, com a cara já meia desfeita, devido ao tempo em que está sepultada, já sem olhos, e alguns dentes já sem cobertura, com uma voz profunda, tenebrosa, e firme, responde......EU NÃO POSSO!!!... MORRI DE TUBERCULOSE!!!... ESSA QUE VAI AÍ TALVEZ POSSA!!!..... MORREU DE PARTO!!!

A caseirar ficou aterrada de pavôr, um choque glacial percorreu o seu corpo deixando-a paralisada, AFINAL QUEM SÃO ESTES SERES ? QUE HORAS SERÃO ? PENSA ELA !!! segundos depois o relógio da torre sineira da nossa matriz dá 4 badaladas....eram 4h da manhã!!! a caseira soltando um enorme gritoooo de desespero, galgou as várias leiras quase sem sentir os pés no chão até á Casagrande, acordando todos, ainda teve tempo de contar o que lhe tinha acontecido. Caíu á cama vindo a falecer dias depois, sem pronunciar nem mais uma palavra.

A história desta tragédia correu montes e vales até aos nosso dias. Os anciões da aldeia afiançavam que eram almas a penar, por causa dos seus restos mortais terem sido transladados do interior da igreja para o novo cemitério, e que durante anos a certas horas, e dias, faziam esse trajecto, como a quererem visitar o local onde repousavam antes.

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