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sábado, abril 23, 2005

S. Marcos


Na véspera do dia de S. Marcos, tenho o prazer de publicar mais um artigo do nosso já conhecido amigo Albino Pinho.

Desta vez, fomos brindados com um artigo sobre a festa do S. Marcos que se avizinha, e que o blog dará total cobertura.
S. Marcos

Santo Evangelhista, que tem o seu dia no calendario litúrgico a 25 de abril de cada ano.
Santo que é venerado na nossa terra, na sua capelinha no morro do mesmo nome do lugar de S. Mamede, no seu dia, ou domingo seguinte.
Em tempos idos, em que as únicas diversões que existiam eram as festas religiosas, e pouco mais, que arrastavam multidões, lembro a propósito algumas, em que os Fajoenses eram mais devotos, e sobretudo em excursões de autocarro fretado, ao jeito da época, marcavam a sua presença como ninguém, com o respectivo farnel, e o famoso "palhinhas" normalmente de tinto, se possível da loja do Cela.
O ano começava com a festa das fogaças na então Vila da Feira, a 20 de janeiro de cada ano.
Seguia-se o St. Brás em Vila Chã - Vale de Cambra.
Depois o nosso S. Marcos. Na semana seguinte por norma a Sra. dos Milagres no vizinho lugar de Goim - Romariz.
Pouco depois a Sta. Apolónia, ou festa da toupeiras, em Vilarinho - Cesar.
Em maio a festa da Sra.da Lage, na serra da Freita, romaria que normalmente se ia com rusga e tocata, a pé do Chão D'Ave até ao cimo da serra.
Sr. da Pedra, Gulpilhares - Gaia, talvez das maiores romarias da região. Lembro-me nos anos 60 em que Fajões quase ficava deserto, todos os meios serviam para lá chegar no mês de junho.
Sra da Hora, na freguesia do mesmo nome do concelho de Matosinhos. Sra. da Saúde da serra Castelões - Vale de Cambra a 15 de agosto, com as famosas rusgas com tocatas, eu pessoalmente acompanhei algumas, saímos ás 3h da manhã a pé, com o farnel, cantavamos e dançavamos até chegar ao alto da serra por volta das 7h.
A 15 de setembro tinhamos a Sta. Quitéria, em S. Pedro do Paraíso - Castelo de Paiva, comer bons bifes, dos bois já dependurados, onde o cliente podia livremente escolher a parte que desejava para de seguida meter á setã, com o verdasco de Paiva a tingir a malga a acompanhar. Tudo isto ao som de duas excelentes bandas musicais. O dia acabava com a compra da maior melancia.
A feira das colheitas em Arouca, festa profana que chamava muitos fajoenses na última semana de setembro.
Feira, e festa de S. Martinho em Penafiel a 11 de novembro, com a famosa frase, compras-te o casaco na feira em Penafiel ?
Antes de fechar o ano, ainda tinhamos a Sta. Lúzia no Couto de Cucujães a 13 de dezembro, festa dos diospiros e jerupiga. A 26 o St. Estevão, no lugar do mesmo nome, freguesia de Arrifana - Feira encerrava o ano.
Estas eram de facto algumas das muitas festas, da região, muito participadas por Fajoenses, que nesse aspecto nunca deixaram os seus créditos por mãos alheias, pois onde fossem havia bom ambiente e alegria, e ás vezes também alguma porrada, muito ao jeito da época também, festa para ser festa tinha de acabar á paulada diziam.

Voltando ao nosso S. Marcos, naquele tempo como ainda agora penso, a procissão com o andor do Santo Envangelhista saí-a da nossa igreja matriz ao fim da missa da manhã do domingo da festa. Seguia por caminhos apertados de carros de bois aos zig zags pelo lugar da Cortinha Dama, Telhado, Côto, depois por entre matos, e pinheirais até atingir o arraial, e subir o morro para finalmente entrar na capela. Estou a falar de tempos onde ainda não havia a estrada que hoje existe.
Como o mês de abril é muito instável, no tocante á metereologia, contam os antigos que o S. Marcos ficou apelidado de "santo mijão", pois segundo a lenda em tempos muito recuados, quando a procisão saí-a da igreja para o morro chuvia copiosamente, um dos carregadores do andor, já todo encharcado, começou a enervar-se com a situação, e talvez já com um grão na asa, proferiu em voz alta, OU TU MANDAS PARAR A CHUVA OU VAIS TOMAR UM BANHO TAMBÉM!!! como o S. Marcos fez ouvidos de mercador, e a chuva ainda redobrou, o carregador ao passar pela presa do Telhado, dá um impulso ao andor, e o santo salta do mesmo e mergulha na presa, daí a famosa frase do santo mijão.
A imagem que me ficou do S. Marcos dos meus tempos de criança, além da nossa Banda, desfalcada, e ás vezes desafinada, com mais um, ou outro novato formado na Banda a dar os seus primeiros acordes públicos, ou simplesmente a fazer o gesto, e número, até ter a certeza de não errar.
Algumas viaturas que por aqueles caminhos apertados, ingremes, poeirentos, ou lamacentos, penívelmente lá conseguiam chegar ao recinto da festa, cheio de bogalhos dos eucaliptos. As tendas das regueifas da Magalhães de Lobão. Das barracas de encerado fumarentas com cheiros a sardinha assada, ou churrasco de frango, com um falatório entre o pessoal dos copos. Da venda dos primeiros maganórios do ano.
Do velho Laranjeira, de Mosteirô, guardador de bicicletas, e também com uma mesa de dados, ou "bogalhinha" a dinheiro. Dos vendedores de brinquedos, quase todos feitos de chapa de Flandres, ou de barro. Da torradinha do santo. Dos namorados que num vaivém faziam o percurso entre o arraial e a capela. Dizia-se quem arranjasse um namorado(a) na festa do S. Marcos dava em casamento. Da rusga com tocata, que saí-a na segunda feira do lugar do Cruzeiro até ao S. Marcos. E para fechar a festa com chave de "ouro" e manter a tradição, a festa acabava quase sempre á cacetada, ou paulada, normalmente com os de Romariz, do lugar de Goim, ou Vila Nova, qualquer pretexto servia para abrir as hostilidades, sendo o vinho o mais importante, para obter um motivo para começar a batalha campal, com que fechava a festa já ao cair na noite de segunda feira, não consta nos anais que alguém tenha morrido nessas rixas, mas cabeças rachadas, dentes partidos, e ematomas eram á fartura.

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