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sexta-feira, julho 01, 2005

LUTO NACIONAL -Que valor tem?

Já é do conhecimento geral que os portugueses são muito generosos em elogios e honrarias, ao desaparecido/a, depois do seu desaparecimento. Nesta peculiar união, juntam-se os amigos como os inimigos de toda uma vida, os primeiros, a quem podemos dar algum crédito à sua dor, e os segundos, porque finalmente veêm-se livres de um adversário ou concorrente, e esta será a sua hipócrita forma de festejar.

Se analisarmos os dois quadros abaixo, podemos ver como o país, ou melhor, como aqueles que na altura representavam o país, honraram o desaparecimento de personalidades das artes, da religião e da política, desaparecidos nos últimos anos.





Bem, podemos concluir que isto de ser escritor, por muito reconhecimento nacional ou internacional que a pessoa possa ter, tem pouca cotação e não é reconhecido. Isto não abona muito em favor de um país com um dos mais baixos índices de alfabetização, antes o confirma. O Saramago que se prepare para o rápido esquecimento, nem o ter conseguido o 2º Prémio Nobel para Portugal, pelo "andar da carruagem", pouco lhe vai valer.

E a nível da música? A história é quase a mesma, aqui na ponta da Europa, apenas conhecemos o fado, mas o de Lisboa. Nem o de Coimbra conta, nem as letras de canções que durante muitos anos foram a fonte de esperança para muitos portugueses nas horas de tristeza e aflição. Fado de Lisboa tem direito a 3 dias de luto e mausoléu junto dos maiores heróis da nossa história. Nada contra isso, mas reconheço mais uma vez que somos um povo de extremos.

Para os políticos, depende de quem esteja a governar. Voltamos aos extremos, se o falecido é da cor de quem governa, parasse o país e até dá tempo para irmos de férias para o Brasil, se é opositor, depende da disposição do momento, com sorte, leva com um dia de luto, mas a regra é ser ignorado.
A religião já teve melhores dias, se for "santo", consegue evitar o esquecimento, senão, por muita intervenção que possa ter tido em vida, acaba ignorado.

Já vimos que somos demasiado avarentos em reconhecer valor, à maior parte dos portugueses que marcaram vincadamente a sua passagem por este país, logo, seria lógico ignorarmos por completo personalidades estrangeiras, cujos actos em vida nos foram estranhos. É racionalmente incompreensível, mas não é verdade!

Quem não se respeite, não tem o direito de se fazer respeitar. Penso que não será desta forma que os outros povos nos passarão a ter mais respeito.

Autor: Manuel Rui Pinho

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