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sábado, outubro 08, 2005

Artigo de opinião - De mal a pior...

O verão acabou e Portugal ficou mais pobre. Uma boa parte da nossa linda floresta ficou com um aspecto parecido com Hiroshima e Nakazaki depois da queda da bomba atómica. O cenário é desolador. Mais alguns anos como este (que o diabo seja surdo e mudo) e não haverá mais nada para arder. Vamos de mal a pior, mesmo com tanta legislação na matéria, a floresta portuguesa de ano para ano desaparece em fumo. Como está provado que a maioria são fogos postos, ninguém entende como é que as prisões continuam quase vazias desses incendiários criminosos, e pirómanos.
Temos demasiados teóricos a falar do flagelo dos incêndios, mas, infelizmente, quase só os "pobres" bombeiros é que dão o corpo ao manifesto, pagando alguns com a própria vida, a sua coragem e determinação.
As chefias dos bombeiros estão mais preocupadas em aparecer nos telejornais, em horários nobres. Aproveitam o momento para se autopromoverem falando do "teatro das operações" como se de um espectáculo se tratasse, e outros termos que me fazem rir, só para se mostrarem importantes, das dívidas do Estado às corporações e ainda de estatísticas, sempre as estafadas estatísticas. E portanto depois de alguns decénios a cena repete-se cada ano
As estatísticas também são para o Governo ponto de honra a defender; é importante dizer aos Portugueses que se arderam mais hectares do que no precedente é porque houve menos humidade. Só por isso !
Vamos esperar para ver se as medidas tomadas recentemente por este Governo sobre o combate aos incêndios vão surtir algum efeito já no próximo ano, ou se serão mais umas a juntar a tantas outras já existentes.
Os incêndios em Portugal no Verão passado foram manchete de jornais por essa Europa fora e mesmo no telejornais das grandes estações televisivas. Até os nuestros hermanos através do seu mais conceituado diário, El País, se permitiram dar-nos conselhos, dizendo duas das coisas que todos sabem mas ninguém consegue pôr em prática, o ordenamento da nossa floresta, e a sua limpeza e manutenção.
Gastou-se tanto dinheiro em coisas supérfluas, para mostrar ao mundo que somos um país moderno e rico. Porém, nem sequer temos meios aéreos suficientes para apagar os nosso próprios incêndios, temos de estender a mão à ajuda internacional.
O António Vitorino disse que ia propor à UE a compra de aviões para apagar fogos florestais dentro do seu espaço. Assim, teríamos os países ricos do norte da Europa, onde não há fogos florestais, a pagar os aviões para apagar os fogos dos países do Sul. Eles fornecem os aviões, nós fornecemos os fogos. Bem pensado!
A juntar a todo este rosário de "miséria" já vai bem avançada a campanha eleitoral das autárquicas, com lindos cartazes colocados em pontos estratégicos, com as fotos dos candidatos vestidos a preceito com aquele ar convencido, mais uma frase repetida por debaixo, para apanhar o voto ao Zé. Nos comícios e entrevistas as "bocas" do costume dos candidatos. Quem se recandidatura, tenta inflacionar a obra que fez, prometendo ainda mais no próximo mandato, e quem quer apanhar o lugar promete simplesmente o "paraíso". Não faltam os já habituais ataques pessoais e a baixa política que em nada dignificam o acto.
A nível camarário cheira-me a status quo, não por mérito próprio, mas porque a oposição me parece dividida e fraquinha, sobretudo o PS, que podia, e devia fazer melhor. Que pena !
Em Fajões, para onde se devem concentrar as maiores atenções concelhias, por motivos óbvios, o cenário também se deve manter, e talvez se reforce, se a oposição já poucas hipóteses tinha de recuperar a cadeira que já foi sua durante 16 longos anos, com os reforços que foi buscar deve-se ter afundado irremediavelmente. Só espero que a campanha eleitoral não vire a cenas de far west. Pois, ao ver algumas figuras já nada me admiraria.
Que bom teria sido juntar os homens bons de Fajões, que os há ainda, onde a única ideologia, e palavra de ordem, fosse o progresso de Fajões, e numa nova lista partir para um projecto de unidade de todos os fajoenses, que alguém dividiu há tantos anos. E com projectos sérios e sustentados, a médio prazo, melhorasse a nossa qualidade de vida para patamares mais consentâneos com os nossos pergaminhos, sendo os mais prementes o saneamento básico, e a água ao domicilio, pois a maioria continua a consumir água inquinada devido sobretudo à falta de saneamento, com os problemas que daí advém para a saúde a médio.
Já nos basta a fábrica de alcatrão que um iluminado teve a ideia de implantar na nossa linda terra, com a benção do presidente da Câmara e o silêncio da nossa Junta. Por falar em alcatrão, suponho que a época em que uma empresa do ramo vende mais deve ser a que antecede as eleições autárquicas, por razões óbvias. Como disse uma vez, há muito "cego" por aí!
A nível concelhio, os semáforos no cruzamento de Nogueira do Cravo continuam a ser uma aberração, complicando uma coisa de fácil resolução. Com uma rotunda adequada ao local toda a gente lucrava, sobretudo em tempo e segurança.
Na sede do concelho continuam os labirintos, de ruas, ruinhas e ruelas. Até entrar na variante, é um quebra-cabeças para quem vem do Norte da cidade e tenta entrar na variante. Será que não há dinheiro para mais umas placas que indiquem o trajecto até á variante? É que nem todos os automobilistas são da zona para conhecer o puzzle.
Tive o cuidado de, em Agosto, comparar as obras, sobretudo públicas, feitas em S. João da Madeira, e mais ainda em Vale de Cambra, e fiquei com a sensação que Oliveira de Azeméis, salvo raras excepções, parou no tempo. Quem duvidar que vá a estas duas cidades vizinhas e veja, quase tudo é feito a pensar no futuro, e com bastante qualidade. Nesse aspecto acho que Oliveira de Azeméis é arquitectonicamente uma cidade desordenada, cresce mas sem sentido. A prova mais flagrante disso foi a reconstrução do mercado municipal. Falta de visão, muito remendos, muita confusão, poucas obras de raiz com qualidade. Esperemos para ver se o Largo do Gemini vai salvar a honra do convento. Já não era sem tempo !
Nem obras de qualidade, nem dinheiro para pagar a alguns fornecedores, e a algumas associações do concelho. Portanto, dívidas parece que há com fartura. Eles nem têm culpa, a oposição é que tarda a aparecer.
Valha-nos a Via do Nordeste, considerada pelo presidente da Câmara como a maior obra por esta realizada desde sempre. Acrescento que graças fundamentalmente aos fundos da FEDER, dos Fundos de Desenvolvimento Regional, e Programa Operacional do Norte respectivamente, no valor total de 5 milhões 191 mil e, vão pagar 3 milhões 680 mil e .
Como já foi dito repetidas vezes é uma obra muito importante para todo o Nordeste do concelho, que atingirá a sua plenitude quando estiver ligada à via estruturante Arouca - Feira, ainda em construção, e ao IC2. Numa obra desta grandeza há sempre pequenos erros, que poderiam ter sido melhorados em certos locais. Pessoalmente, acho que a descida do Mergulhão até à entrada da Vila de Fajões, ficou muito bonita e funcional.
Como já disse em anteriores artigos, espero que a quarta fase da Ameixieira até ao seu terminus (bombeiros) tenha a mesma dignidade que tem na descida do Mergulhão, não deve haver filhos e enteados; há pano para mangas e se por acaso houver algum impedimento momentâneo, será melhor esperar mais uns meses e fazer as coisas como devem ser. De toda a forma a quarta fase nunca será concluída até ao fim do ano como prometeu o presidente da Câmara.
Relembro que o orçamento da Câmara para a quarta fase Cesar - Fajões é de 97 mil e, (aproximadamente 19.500 contos) verba muito modesta para uma obra desta envergadura.
Teoricamente, se fosse para quatro vias com separador, essa verba poderia duplicar. Suponhamos 200 mil e, mesmo assim ainda continuaria a ser a verba mais baixa de todas as quatro fases da Via do Nordeste. Acho que vale a pena meditar nisto e não andar a fazer as coisas precipitadamente.

Artigo retirado de:

  • Correio de Azeméis
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