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quinta-feira, outubro 27, 2005

Memórias da nossa terra - 6 - Os primórdios do G.D. de Fajões

Ao ler o artigo, com foto, sobre os primordios do G. D. de Fajões, pensei escrever um já simples comentário, mas em ultima instância pensei que este assunto merecia mais que um simples comentário da parte de quem assistiu ao renascimento do futebol na nossa terra, e acompanhou apaixonadamente o nosso Desportivo durante longas épocas, comungando nas sua alegrias, em tardes de glória, assim como nas tristezas quando as coisas não corriam bem, mesmo com a nossa dimensão era com esta pureza que viviamos a vida do nosso clube.

Desde que me conheço, Fajões teve sempre na sua juventude, fogosos, e ardentes jogadores de futebol, com os meios, e locais que dispunha, tudo servia para um jogo.
Mas um verdadeiro recinto só o F. C. Cesarense dispunha, pois também era o único clube na zona a jogar futebol oficial.
Quantas molhas apanhei, com os meus amigos a ver o Cesarense! quantas vezes íamos andar com a enorme roda do poço para bombear a água para os jogadores tomarem o duche frio depois do jogo, findo o mesmo o guarda do campo metia um escora ao meio da baliza, para este não empenar até ao próximo jogo, pois as balizas eram em barrotes de madeira quadrados. Humildes instalações as do F. C. Cesarense, mas que faziam inveja a muitas terras vizinhas, que não dispunham de nenhumas.

Em Fajões havia sempre alguém para organizar uma equipa, comprar equipamentos, entrar em torneios, organizar excursões quando era para ir jogar fora, estou-me a lembrar entre outros do saudoso (Tonita da Cobela) com os seus irmãos Domingos, e Manuel, do Nel, e Júlio da Cela, o Torres, o Trindade, o Barroca, os irmãos Bastos, Fanklin e Manuel, o Rogério, os irmãos Carvalho, o Jota eu próprio, ainda junior no F. C. Cesarense, cheguei a ir jogar com o Fajões a Alvarenga, Guisande, e Castelo de Paiva, entre outros.

Mas havia duas coisas que faltavam, primeiro um campo de jogos, pois quando alguém era convidado pela malta de Fajões para um joguinho, tinha-se de pedir o campo, sobretudo ao Cesarense, o que nem sempre era fácil de obter. E segundo os jogos que faziamos não eram oficiais, eram amigáveis, ou torneios, que nem sempre acabavam bem.

Com o regresso do saudoso Padre Rocha a Fajões, ele que adorava futebol, e já tinha fundado, e presidido a alguns clubes por onde tinha paroquiado, a malta do costume começa a pensar sériamente em criar um clube para disputar as provas oficiais da A. F. de Aveiro, e sobre a batuda do padre Rocha, mais os directores que são citados no artigo funda-se o G. D. de Fajões corria o ano de 1974, a revolução dos cravos ainda era uma criança. Foi uma pedrada no charco, foi o saír do marasmo na região, pois durante décadas o futebol oficial resumia-se sempre ás mesmas equipas. Nos anos que se seguiram á criação do G. D. de Fajões nasceram a maioria dos clubes que se conhessem na região, que por questão de espaço não vou aqui enúmerar.

Como tinha sido inuagurado o Parque de jogos Dr. Teixeira da Silva em Carregosa, foi aí que o nosso Desportivo fez a sua primeira época de 1974/1975, a de 1975/1976 já se efectuou no recém inaugurado campo das Cruzes.

Para a história, e se a memória não me atraiçoa foram 11 as equipas que formaram o primeiro campeonato distrital da 2° divisão de Aveiro que o nosso clube participou, a saber G. D. de Fajões (estreante) Calvão (estreante) Fiães (estreante) Amoreirense (estreante) Fogueira (estreante) Severense, Macinhatense, Beira Vouga, Gafanha, Bustos, Pampilhosa.

O primeiro jogo oficial do G. D. de Fajões, disputou-se am Carregosa em fevereiro de 1975 contra o Fiães. As entradas custavam 10 escudos, e deve ter sido das maiores enchentes de todos os tempos. O resultado final foi de 4-1 a favor do Fiães. o golo do Fajões foi apontado de penalty pelo seu treinador Dionisio.
O primeiro golo de jogada, foi marcado contra o Amoreirense em Carregosa, vitória 6-1. Outras vitorias importantes, 7-0 contra o Gafanha (hoje na 3° Nacional) vitoria 1-0 na Pampilhosa do Botão (hoje na 2° Nacional) vitoria 1-0 em Sever do Vouga, na altura uma grande equipa, hoje desaparecida. vitoria também 2-1 em Macinhata do Vouga.

Antes de acabar a primeira volta o Fajões mudou de treinador, contratou Almeida ex.glória da Sanjoanense, Com o Almeida o Fajões teve um ponta final de campeonato extraordinária e só não subiu á 1° distrital por uma unha negra. Subiram Fiães, e Bustos. Lembro que no jogo da segunda volta o Fajões foi ganhar a Fiães 1-0.

Para a história lembro o nome de alguns jogadores que foram os pioneiros do clube, Dionisio jogador, e primeiro treinador ex, Cucujães, Torres, Barroca, Jorge (Janeira) , Carlos (folhetas) e Rogério, todos de Fajões, Agostinho, Ferreira, Adriano e Lino, todos de Macieira de Sarnes, Soares de Vale de Cambra. Quim Bastos de Azagães, Cunha de S. João da Madeira, e mais tarde vieram mais alguns jogadores, entre outros o guarda redes Maraia ex.Oliveirense.
Almeida e Maraia na época seguinte foram treinar e jogar para a A. D. Valecambrense, tendo-se sagrado campeões da 1° distrital.

Sempre que o Fajões jogava em casa (Carregosa) era campo cheio, todos os caminhos, e meios de transporte serviam para logo ao fim do almoço do domingo rumar ao campo de jogos com a sua bandeira. Quando íamos jogar fora a equipa era sempre acompanhada por muitos carros e alguns autocarros, sendo a equipa que mais apoiantes levava.

Para concluír este apontamento, direi que o futebol distrital naquele tempo podia ser mais rudimentar, mas era mais apaixonante. Jogos havia que essa paixão transbordava, e de que maneira, ir jogar fora era arriscado, em certos campos tinha-mos de ir prevenidos, e em força numerica, casos de Macinhata, Sever de Vouga, e Fogueira. Lembro que cada vez que o Fajões estava a ganhar em casa do adversario o capitão jogador-treinador Almeida, gritava para os seus jogadores ô pessoal vamos a mais ummmmmmmm. Aconteceu que o Fajões estava a ganhar em Macinhata do Vouga, o jogo já ia na segunda parte quando marcamos o 2-1, o Almeida começou a incitar outra vez os jogadores, a malta de lá não gostou, invadiu o terreno de jogo, e partiu a cabeça ao Almeida, tendo sido saturado com varios pontos. Com a invasão ao campo o árbitro deu por terminado o jogo, quando os jogadores das duas equipas, depois do banho, saiam das instalações do clube, a esposa do Almeida reconheceu o jogador que agrediu o marido, foi direita a ele tirou o tamanco do pé, e abriu-lhe a cabeça também, tudo isto foi presenciado por muita gente, comigo íncluido claro.

Autor: Albino Pinho

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