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segunda-feira, janeiro 30, 2006

A minha primeira aventura por terras helvéticas - Autor: Albino Pinho

A partir de hoje, e nas próximas segundas-feiras, será publicado um capítulo da "história" de um emigrante "nosso" conhecido. Como Fajões é uma terra de bastantes emigrantes, penso que esta secção será muito bem recebida por aqueles que nos visitam. De minha parte, resta-me agradecer ao Sr. Albino pelo contributo.


Ser emigrante

Capitulo I

Chamo-me Albino de Oliveira Pinho, nasci no ano de 1954, na vila de Fajões - Oliveira de Azeméis. Quis o destino que, como a maioria, tivesse nascido em berço pobre, pois sou o 5° de 12 irmãos vivos. Meu pai sapateiro de profissão cedo ficou inválido, devido ás más condições de vida, e de trabalho, fazendo com que as carências em nossa casa se tornassem ainda maiores. Oriundo de uma família de emigrantes, principalmente para o Brasil, pois pelo menos já o meu visavô paterno no séc. 19 tinha ganho lá a sua vida, o que ao jeito da época, lhe permitiu comprar alguns campos, lameiros e matos, e ficar com um estatuto elevado na terra. Seguiram-se outros da minha família, avôs maternos e paternos, tios e tias, alguns houve que até se perderam por lá sem nunca se saber ao certo o seu paradeiro. Seguramente que a sorte não lhe sorriu, e o orgulho impediu-os de regressar.

Mesmo situando-se numa região com uma implantação industrial considerável, Fajões e arredores foi, e infelizmente ainda é, uma terra de muitos emigrantes. Era eu ainda criança e já ouvia histórias de pasmar na taberna da aldeia onde me tardava a ouvir os nossos emigrantes Brasileiros, queimados pelo sol dos trópicos, de fato de brim, chapéu de palha, camisa de cambraia, anel de ouro nos dedos, e charuto de Havana na boca, pagavam umas iscas, uns copos misturados com histórias fascinantes das terras de Vera Cruz. Ficavam os meses de verão, só regressando no vapôr no fim do verão como aves migratórias. Nessa altura já eu começava também a sonhar um dia emigrar, para melhorar a minha vida, e também contar as minhas histórias.

Os anos passaram, e logo que fiz o exame da 4° classe numa sexta-feira de julho 1965, apenas com 11 anos meu pai, já me tinha arranjado um trabalho numa serração da zona para a segunda-feira seguinte.Como era trabalho muito duro para uma criança , pois andava quase sempre a transportar as tábuas da grande serra para o exrerior, e que deviam ser postas em castelo para irem secando, com um dos patrões sempre a pressionar e insultar para trabalharmos mais depressa, pois eramos vários mais ou menos da mesma idade, achei que ali não havia grande futuro para os meus projectos e sonhos.

Alguns meses depois, sem o meu pai saber, e com a cumplicidade de um primo fui trabalhar com ele para uma fábrica de louças metálicas em Cesar, onde entrei como aprendiz. Passados dois anos mudei para outra maior, na mesma terra e que oferecia melhores condições. Aí passo da fase de aprendizagem, á de praticante, algum tempo depois a profissional de 3°, de 2° e finalmente de 1° com a categoria de Funileiro-Latoeiro, e posteriormente de serralheiro civil de manutenção.

(Continua...)

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