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segunda-feira, fevereiro 06, 2006

A minha primeira aventura por terras helvéticas - Capitulo II - Autor: Albino Pinho

Capitulo II


Corria já o início da década de setenta, e como já tinha 2 irmãos e 3 irmãs em França a ideia era juntar-me a eles. Pois entretanto os famosos emigrantes Brasileiros começaram a desaparecer, e eram cada vez mais os novos emigrantes Franceses, que como os Brasileiros contavam histórias de encantar, uma mais belas que outras.No verão era vê-los como as andorinhas na primavera, invadiam festa ou romaria da aldeia e arredores com as suas viaturas de farois amarelos, obrigatório em França na época, por causa do nevoeiro.
Tudo isto acentuava em mim a vontade cada vez mais forte de também ir tentar a minha sorte, mas os meus irmãos apesar dos meus insistentes pedidos hesitavam em me chamar, arranjando sempre uma desculpa, por vezes esfarrapada. Diziam que em França estava muito mau, que já não faziam papéis etc.
O tempo vai deslizando, sem grandes histórias, vivemos num país triste, sem liberdade e sempre com o pesadelo da guerra colonial na cabeça, há quem não arrisque a pele para ir defender uma causa injusta e sem sentido, Pois na aldeia já 3 na flôr da idade tinham sido sepultados no cemitério local, mortos nessa maldita guerra. Cada vez mais são aqueles que fogem ao assalto para França, entregando-se a passadores sem escrúpulos, pondo a sua vida em perigo. Passar a fronteira era um acto muito arriscado para um jovem na idade militar, e caso conseguisse, como muitos conseguiram, só podiam voltar ao país depois dos 45 anosde idade.
Mas finalmente vem a revolução dos cravos, a liberdade de expressão! toda a euforia, todas as promessas e sonhos, com o tempo se foram esfumando, e senti que afinal não houvera milagre, conquistaramos sim a liberdade de expressão, muito importante, mas continuavamos a ser os coitadinhos da Europa...a emigração iria continuar...e o nosso fado também!Entretanto caso-me, sem ter a minha situação militar definida, embora apto, a todo o serviço militar, eu e os meus contemporaneos temos de aguardar até que se defina o que fazer aos militares que vão regressar de África, pois há excesso de homens, corria o ano de 1975. Depois de 2 anos de espera e angústia o general Eanes decreta que os mancebos não minha situação passem a reserva territorial.Nova vida começa ! já sem o pesadelo do serviço militar. Nas empresas, e desde 1975, por inspiração do Gonçalvismo, os trabalhadores começam a organizarem-se, e durante um curto período as condições de vida melhoram substancialmente, o que de momento me faz esquecer a ideia de emigrar, e até comecei a construir uma modesta casa num pouco de terreno que possuía, com as minhas economias, e algum dinheiro que pedi.
Mas foi sol de pouca dura ! a política vira á direita, e acusa a esquerda de ter gasto o que não havia, as condições dos trabalhadores começam outra vez a degradarem-se, há sobretudo uma falta enorme de habitação, e muitos jovens casais não tem recursos para pagar as altas rendas das poucas casas disponíveis, a alternativa é improvisar um canto em casa dos pais ou sogros, como foi o meu caso.Entretanto da firma onde trabalho, devido á minha participação activa nos interesses dos trabalhadores da empresa já fazia parte da Comissão de Trabalhadores, de seguida fui eleito delegado sindical, e devido ao meu bom desempenho em defesa dos meus camaradas de trabalhos fui proposto para fazer parte de uma lista que iria concorrer ás eleições do Sindicato dos Metalúrgicos de Aveiro. Ganhamos as eleições e fomos eleitos para 4 anos, tendo eu ficado responsável pela minha zona a tempo parcial, na delegação de Vale de Cambra, que eu próprio participei na abertura.

(continua...)

Ligações e créditos:

  • Capitulo I

  • 2 Comentários:

    At 6/2/06 5:57 da tarde, Blogger Leiteiro said...

    Inicialmente estava previsto ser publicado apenas um capitulo por semana, mas visto se tratar de uma historia um pouco longa, decidi publicar três capitulos por semana (segundas/quartas/sabados).
    Obrigado.

     
    At 7/2/06 9:52 da tarde, Anonymous Alzira Macedo (Alemanha) said...

    Aqui se vai ler uma história da verdadeira emigração e como esta, haverão tantas outras umas mais dolorosas quanto as outras.
    Ser emigrante não é fácil, só poderá constatar isso quem tive de emigrar sem ter sido convidado.
    É de louvar a coragem de escrever tudo ao pormenor de quanto é difícil tentar uma vida melhor para sua família tendo de deixar as suas raízes assim que sua terra.
    Não esquecendo os amigos, que nos são tão queridos. E a tristeza que se sente quando se regressa ao país e esses valores da amizade vão diminuindo cada vez mais.
    Me perdoem este desabafo, mas infelizmente é a realidade do mundo em que vivemos.
    Já não existe a verdadeira união entre as pessoas.
    Um abraço para todos os emigrantes, estejam onde estiverem.
    Tenham força e coragem, não desanimem um dia poderemos regressar ao país do nosso coração que é PORTUGAL.
    Sem ter de nos envergonhar de termos procurado estabilidade para nossa família.
    E acima de tudo sem nos sentirmos fugitivos.

    Alzira Macedo

     

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