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quarta-feira, fevereiro 15, 2006

A minha primeira aventura por terras helvéticas - Capitulo VI - Autor: Albino Pinho

Capitulo VI

Chegados cedo á praça Luís Ribeiro de S. João de Madeira, e depois do controle dos bilhetes, lá entramos no autocarro da Internorte, que já vinha do norte com alguns candidatos a emigrantes. O trajecto até Vilar Formoso, ainda era pela antiga estrada, o que tornava a viagem bastante penosa e cansativa. Saidos de S. João, passamos por Oliveira de Azeméis, para entrarem mais alguns candidatos, situação que se foi repetindo nas paragens seguintes, Vale de Cambra, Vouzela, S. Pedro do Sul, chegando á central da camionagem de Viseu por volta das 13h, onde almoçamos uma feijoada, última refeição quente para o resto da viagem, pois o orçamento não permitia mais, o resto seria com sandes e bebidas, tudo já previamente preparado.
Chegamos a Vilar Formoso já noite, 10h para percorrer 180 km, novo controle de bilhetes por um agente da empresa transportadora, e mais alguns que entram e outros que saem para outros autocarros, completando o espaço até aí vago. Finalmente entramos em terras castelhanas, á medida que o autocarro galga kilometros, sentia um aperto no peito, a dúvida aumentava, como quem se mete mar dentro sem saber o que vai encontrar á frente.
Dentro do autocarro havia um pouco de tudo, aqueles que estavam sossegados, os fala baratos, o que já faziam projectos dos primeiros francos que ganhassem, entre eles o amigo de meu irmão João, dizia ele que antes queria uma mota, em vez do BMW. Havia um que estava sentado ao lado e ouvindo a conversa, lhe disse, ô chefe veja lá se isso vai ficar mais barato ! era um tipo de poucas falas, viajava sozinho, trabalhava no cantão de Zurich e já levava o tão ambiciado pérmis A, que lhe garantia trabalho para 9 meses. Isso em nós já causava bastante admiraçâo pelo homem.
Paramos no centro de Salamanca, com a sua monumentalidade, Tordesilhas e a famosa estrada da morte, com os seus altos e baixos que tantas vidas tem tirado a emigrantes, paramos a seguir num local já previamentenoite determinado pelas empresas transportadoras, onde os motoristas tinham sempre direito á refeição grátis, a troco de levar os passageiros lá a comer.
A noite estava fria, com uma ligeira brisa, cada qual com o seu farnel, procurou o melhor canto para saciar o estomago, pois os motoristas não gostavam que ninguém comesse dentro do autocarro.

(Continua...)

Ligações e créditos:

  • Capitulo V

  • 3 Comentários:

    At 15/2/06 10:18 da tarde, Blogger Manuel Alcides said...

    Oh Sr. Albino, mera curiosidade minha! Como é que consegue descrever as coisas com tanto pormenor, coisas que já aconteceram há alguns anos? Tem algum diário onde escreve as aventuras da sua vida?

     
    At 16/2/06 6:22 da tarde, Anonymous albino pinho said...

    Olá amigo Manuel.
    As anotações que faço de episódios da minha vida que acho merecem ser registados são feitos no meu disco duro natural (cérebro)
    Esta historia em 29 capítulos veridica(dividi-a para se tornar o menos maçativa possível)Já estava escrita á uns meses, pois destinava-se a uma editora portuguesa que tem um projecto de editar um livro com várias historias de emigração. Como esse projecto ainda está em stand bay, e como entretanto aqui no Blog houve uns mal entendidos do que é o verdadeiro emigrante, achei por bem publicar aqui esta minha aventura, igual á de tantos compatriotas nossos, e desta forma prestar uma singela homenagem aos 4 milhões da nossa diáspora.
    Quanto ao meu gosto pela escrita, apesar dos meus modestos estudos e ela vem da minha infancia, das historias que ouvia, era e sou um curioso crónico (no bom sentido), só assim se adquire mais conhecimentos. Tento ser um contador de historias, umas verdadeiras como esta, outras em ficção, ou lendas,sem entrar mexericada. Sempre que posso gosto de dar ao dedo com a humildade e a limitação dos meus conhecimentos ortográficos. Adoro, e tento ser o mais simples possivel, e através da escrita ajudar a terra que me viu nascer.
    Quanto á minha memória já me disseram que é boa, eu direi que é a normal. Há coisas passadas á muitos anos que consigo descrever quase ao pormenor, e no entanto á coisas que se passaram ontem que ás vezes já falham, é a dita memória viva a falhar, os efeitos da idade já se começam a sentir. Tenho vários projectos literarios, vamos a ver se ha paciencia, tempo e saude para os concretizar.
    Acho que cada ser humano devia deixar um testemunho escrito, contar histórias, a vida seria muito mais bela.
    Ufffffffffff só por curiosidade, embora já esteja ausente á 20 anos, o Manuel Alcides é fajoense, de que familia ?

     
    At 21/2/06 12:08 da manhã, Blogger Manuel Alcides said...

    Lá diz o ditado "Plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho" são os elementos necessários para uma vida bem vivida. Apesar de não ter uma escrita de escritor, preocupa-se em escrever bem português e isso é coisa rara nos tempos que correm. Desde há algum tempo que sou um assíduo leitor dos seus textos aqui no blog ou no Correio de Azeméis. Continue a brindar-nos com a sua escrita e boa sorte para os seus projectos literários.
    Pessoalmente já tive melhores hábitos de leitura e de escrita, mas depois que descobri a informática a minha cultura literária ficou um pouco de lado. Agora sou apenas leitor de artigos técnico-científios e "devoro" tudo o que esteja relacionado com informática. Excepcionalmente, há 9 meses estou numa fase de ler livros infantis e revistas sobre "pais e filhos" ;-) Sou jovem, já concretizei muitos planos... quem sabe se escrever um livro não será um projecto futuro!

     

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