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segunda-feira, março 27, 2006

50 anos Rancho Folclórico - IV - A Génese - Parte I

Decorria o ano de 1954 quando a freguesia de Fajões, à semelhança de outras suas congéneres, resolveu angariar fundos, desta vez destinados à realização de obras na Igreja Paroquial. A freguesia foi dividida em zonas, encarregando-se cada uma delas, sob a responsabilidade e orientação de um "bom-homem" formar um cortejo representativo.
A Norte, tínhamos o lugar de S. Mamede, na época, geograficamente isolado e honroso da sua "autonomia". Exceptuando o dia da Festa de S Marcos, passava quase esquecido pelo resto da freguesia e os que lá habitavam sentiam isso. Aqui, a escolha recaía normalmente Casa d´Além de Cima, ou na Casa d´Além de Baixo, a família era a mesma.
Depois tínhamos o Centro, que englobava os lugares de S. Mamede até à Cruz, e ainda a Baganha, Tapado e Retorta.
Por último, tínhamos o terceiro grupo, que era constituído pela Torre, Casalmarinho e Passos.
Três zonas que iriam ser representadas por outros tantos cortejos, a serem apresentados às pessoas em três domingos consecutivos, tudo separado, questão de honra para todos. A rivalidade era grande, muitas vezes a coberto da noite iam espiar as iniciativas dos "concorrentes", que quando descobriam a marosca, não se inibiam exercitar os dotes do jogo do pau. Claro que dessas rivalidades, surgiam as normais "alfinetadas", prato forte dos dias do cortejo. Até a forma como eles se designavam uns aos outros o demonstrava, os do Norte eram chamados por "Espanhóis", designação que acabou por prevalecer durante décadas. Os do Centro eram os "Republicanos" e os do Sul, os Africanos.
Os cortejos saem para a rua logo no início de 1955.
Para fechar o cortejo, os "Espanhóis" improvisaram uma "tropa", em que utilizaram as saudosas armas da escola (masculina) do Cruzeiro, para simular, na chegada ao adro, uma invasão da Índia pelas tropas portuguesas.
O cortejo dos "Africanos" o último a desfilar, tinha como seu responsável o Sr. AUGUSTO OLIVEIRA TAVARES, mais conhecido por Augusto do Zé Velho e esposa ROSA ALVES DE AMORIM e as suas duas filhas, moradores no Lugar do Candal. Como homem ligado à música, já que era elemento activo da Banda de Música, tentou improvisar um "Rancho", mas depressa lhe surgiu o primeiro problema. Com a colaboração das filhas, foi fácil e proveitoso o "recrutamento2 de elementos femininos, mas não existiam elementos masculinos que se disponibilizassem para o efeito. Ainda foi pensado disfarçar mulheres de homens, mas não havia coragem de alguém se dispor a afrontar os costumes da época e vestir umas calças. Como última solução, o recurso aos elementos de Fajões que compunham o Rancho das Andorinhas, de Azagães (que nada tem a ver com o actual). Vieram as duas filhas do responsável, a cantadeira, alguns músicos, amigas e já alguns homens. Com estes, outros ganharam coragem. Poucos ensaios foram necessários porque a maior parte já tinha experiência, e estava formado o grupo para o cortejo. Improvisou-se uma bandeira, presa a um pau e faltava um nome... "Rapioqueiros".

Foi um sucesso!

Por: Manuel Rui Pinho

1 Comentários:

At 27/3/06 7:13 da tarde, Blogger Leiteiro said...

É por estas e por outras que adoro os nossos antepassados e a sua cultura. É uma pena que actualmente poucos ou nenhuns sintam esses valores e as maravilhas que houveram no passado. Acho uma coisa espectacular as ?guerras? e o bairrismo que existia? acho espectacular as histórias que os meus avos contam na consoada do natal e do ano novo? acho espectacular as brincadeiras e as traquinices que se faziam, mas que ao longo do tempo se foram perdendo.
Agradeço ao Sr Rui (como ao Sr. Albino) as histórias que de uma vez ou outra vão contando, para, a gente mais nova que visita este blog, sinta o quão belo foi o nosso passado.

 

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