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sexta-feira, abril 21, 2006

A minha primeira aventura por terras helvéticas - Capitulo XXVIII - Autor: Albino Pinho

Capitulo XXVIII

O autocarro quase cheio lá partiu com caras deprimidas, e olhares longínquos. Primeira etape Lyon, há um tipo no autocarro que seguramente não toma banho á dias, imana um odor de suado insuportável, vai estalicado do banco da cozinha do autocarro, sem calçado, as sua meias cheiram a um queijo fedorento tipo Camambert, por vezes tenho vontade de deitar carga ao mar, os outros passageiros comentam em voz baixa, com medo do tipo ouvir, pois ele é de poucas falas, e de uma corpolencia considerável, e é melhor não arranjar mais sarilhos, já nos basta o azar de regressarmos de mãos abanar, e não convém nada chegar com alguns hematomas, e dentes partidos, Volta e meia abro um pouco a janela para renovar o ar que me circunda, mas com o tempo acabamos por nem perceber muito a diferença, ao embebedarmos no mesmo cheiro pestilento.
Chegamos a Lyon ao raiar da aurora de domingo 21, mudamos de autocarro, que com mais alguns que entraram esgotaram o dito.
O percurso foi o mesmo da ida, tenho a sensação de lá ter passado á uma eternidade de tempo. Os locais de paragem repetem-se, os motoristas enchem a pança, aparentemente de borla, pois não vejo pagarem nada, a mim dá-me a impressão que há realmente o tal acordo firmado entre eles, comem de borla na condição de trazerem mais clientes. Em cada paragem o gesto repete-se, toda a gente sai, as portas do autocarro são fechadas, e marcada a hora de partida. Os que não querem, ou não podem ir para o restaurante fazem horas ao relento da noite gelada até os motoristas regressarem.
Vou pensando em todos os cenários possívéis á minha chegada a Fajões. A minha esposa ainda não sabe que já estou de regresso, embora deva suspeitar, pois na últina carta tinha-lhe dito que se as coisas não melhorassem não poderia aguentar muito mais tempo.
Ao passar pelo centro da França, ainda me ocorreu a ideia de ir ter com as minhas irmãs quem sabe não arranjassem por lá um trabalho mesmo sem papéis, mas como iria ter com elas, se nem sequer sabia como.
Pelo caminho nada comprei para os meus, trazia os chocolates do padre, e pouco mais, os 200 francos tinham de ser poupados para governar a casa até receber o próximo salário.

(Continua...)

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